Durante o período de ensino médio e fundamental fui aluna do ensino público no interior da Paraíba, onde terminar o "segundo grau" já era grande coisa. No período entre ensino médio e fundamenal foi despertado em mim a "leitura", primeiro dos paradidáticos, aqueles pequenos livros de romance e ficção que despertavam o gosto pela leitura, depois conheci os clássicos da literatura.Muito embora a minha escola vivesse mais em greve do que atuando, comecei a ler os clássicos de literatura, me apaixonava a cada livro, adorava imaginar cada cena como se estivesse vivendo naquelas histórias. Não tinha livros e nem condições para comprá-los, a escola que estudava dispunha na época de pouquíssimos livros de literatura para dá suporte a várias turmas, mas, tinha uma vizinha, estudante do curso de Letras, que possuía um estante repleta de histórias e através dela li boa parte dos clássicos da literatura brasileira.
Conheci José de Alencar, Machado de Assis, entre outros , mas, com o passar do tempo essas histórias apesar de interessantes, começaram a me deixar a desejar algo mais, mais certeza e mais cultura, foi aí que comecei a me interessar por história, porque nela eu podia viajar no tempo, conhecer mais sobre minha cultura, meu país, minha cidade, minha escola, até mesmo sobre minha família através das memórias do meus avós, assim via o passado através de um túnel, de uma luneta.
Com a história podia entender o passado, ver que tudo que lia não era uma estória fruto da imaginação de alguém, e sim o que aconteceu ontem, num tempo que não vivi. Podia viajar, sair da minha cidade e do meu pequeno mundo e conhecer outros locais, outras pessoas, culturas, artes, tudo sem sair do meu quarto. Não tinha um centavo prá viajar, mas, encontrava nos livros a oportunidade de "conhecer".
Talvez tenha dado muita paixão as leituras que fiz, mas, algo é certo, a leitura é a porta aberta de um mundo mágico e a história é a porta de uma viagem a esse mundo.Hoje me volto para o ensino de história nas escolas e reflito como poderei despertar nos meus alunos esse interesse, uma vez que vejo o quanto a disciplina de história é vista como algo "chato" pelos alunos de ensino médio e fundamental.
Decidi estudar sobre a filosofia da linguagem no ensino de história, acredito que existe um déficit, não pelo fato de todo mundo não gostar de história da maneira que falo, mas, pelo fato que fazem parte da história e não se identificam nela.
Será que existe uma linguagem ideal para o ensino de história?
Será que os métodos estão proporcionando entendimento?
É o que me proponho a descobrir!
Márcia Albuquerque